
Semanas atrás, vi num calendário que dia 26 de Julho é o “Dia dos Avós” e pensei: “Não posso deixar de ligar para meus avós”. Óbvio que acabei esquecendo, e então não parei de pensar neles e resolvi escrever alguma coisa que celebrasse essas pessoas tão especiais em nossas vidas.
Meus avós maternos são fora de série: são avós de todo mundo. Minhas amigas os chamam usando o termo vó e vô, amigos dos meus pais e meus tios também. Sempre tiveram presença mais que marcante em minha vida, desde a infância, até agora, quando tive a oportunidade de morar com eles e viver um dos períodos mais especiais da minha vida. Minha avó Didi é fenomenal. Ela é capaz de falar sobre qualquer assunto, desde aborto até os conflitos no Oriente Médio, sem nenhum preconceito, e claro, com algumas doses de vodka...Meu avô Francisco é outra coisinha a parte: faaaaaaaaaaaaaaaaaalaaaaaa pelos cotovelos, e sim, quem o conhece sabe que esse termo se aplica a ele com precisão, adora contar piadas, é sentimental e carinhoso, além de trabalhador. Sim, ele está com 80 anos e mexe no computador todos os dias para trabalhar. Além de, é claro, coisa mais normal, falar usando o MSN com seus filhos e netos. Eles têm na porta da casa um quadro com os dizeres: “Na casa do vovô e da vovó tudo pode”. E essa regra sempre valeu.
Meus avós paternos não são menos especiais, apesar de menos irreverentes: meu avô, já falecido, nos deixou uma marca que jamais nos esqueceremos: muito mau humor! Nós o amamos muito, mas ele com certeza marcou nossa infância com seus “pitis”, e claro, com seu carinho e suas brincadeiras. Pior que o meu pai está ficando igualzinho a ele. Especialmente quando bufa. Minha avó Rosalba, ainda viva (porque ó Deus, porquê? – nos perguntamos as vezes....ela sabe tirar qualquer um do sério – culpa do meu avô que a mimou demais) é super zen. Faz yoga, meditação e agora sua mais nova invenção e estudar e seguir a Vedanta. Acho ótimo, fantástico ter uma avó que estuda e quer crescer espiritualmente, duro é ter que ir no Ashrama e ficar de papinho com os monges...até recebê-los em casa para algumas refeições! Eu não posso nem sentir o cheiro de gengibre, e com certeza a visita dessas pessoas é a explicação.
São tantas as lembranças, eu poderia de passar dias e até escrever um livro contando as histórias que vivi com meus avós, e nem assim, eles estariam devidamente homenageados. Só quem teve avós sabe, e quem não teve com certeza deve ter tido alguma pessoa em que projetava essas imagens tão importantes na nossa formação.
Quero muito ser mãe, claro que sim. Mas quero mais: quero ser avó. E uma avó daquelas: maravilhosa, falante, risonha, festeira, cozinheira, alcoólatra (kkkkkkkkkk), gordinha, religiosa, ranzinza, comilona,”tricoteira”, fofoqueira, rueira, elegante, LOIRA, enfim, uma AVÓ!
Nós sempre brincamos que nossos filhos serão amigos, certo meninas? Vamos queimar o filme uma das outras para eles não é isso? Pois eu vou mais além: NOSSOS NETOS serão amigos. E se eles não forem, nós ainda seremos amigas, e vamos contar nossas histórias a eles. Já posso até ver a Pestana sentada com uma xícara de café e um cigarro na mão contando à minha netinha Sofia (PORQUE SE MINHA FILHA NÃO VAI PODER CHAMAR SOFIA, A NETA VAI PODER, TÁ?!?!) : - Sabia que a Mari era uma galinha quando era jovem? Ela vivia de saia curta! E você sabia que ela teve um caso de anosssss e perdeu a virgidade com o ... aqueeeeeeeeeeeeeeeeleeeeeeeee que é Vô do Joãozinho, sabe?!?
Ou então eu sentada contando aos pequenos atletas, netos da Tati, claro, como ela ficava sem a unha do pé quando fazia maratona. Talvez contando aos mau humorados, netos da Pestana, enquanto esperamos ela ser liberada da cadeia, (ela foi presa por desacato à autoridade que tentou prendê-la por estar fumando dentro de algum shopping, e apanhou de bengala) da vez que ela roubou o carro, bateu e pintou a parede com guache...
E se não for pra isso, pra que vivemos nossas vidinhas? Ser avós é ser contadores de histórias e a vida é feita de memórias, são as únicas coisas que sempre carregaremos, assim como nossas bolsas LV, que tem garantia vitalícia. Então, vamos viver, certo? “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”, e quantas.
A avó da foto é a Vó Didi, e na ocasião estávamos sim, de porre. Era festa de Natal da minha família, e ela tinha acabado de dizer a mim, e a mais alguns netos mais velhos que não ia subir pra ver o Papai Noel porque ela tinha sido uma “menina má”. Eu juro que isso aconteceu.
Um beijo nas vovós e vovôs, com todo o meu carinho.